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Solidão

Num comodo perdido
sem portas e janelas n'algum lugar duma mansão
não há luz , nem som
Um lugar envelhecido 

Não havia local para poeira entrar
e tudo que havia permanecia lá
nada entra nada se esvai
uma miniatura doentia do mundo

Nos moveis de madeira ressecados
jaziam o unico sinal dos anos passados
que não seriam percebidos
vendo os ladrilhos luzidos

Surpreendente há de se clamar
ainda havia vida lá
por anos a fio existindo
Atraves dum canibalismo doentio

Insentos se revezavam,comiam os velhos e procriavam
uma ou duas familhas de ratos
Sobreviviam do incesto e de seus velhos
Tudo passava fome 


a infiltrações de água
molhavam as paredes e saciavam a sede
umidecia o ar ,conjurando um calor bolorento
Como uma ferida infecionada crescia assim a vida

Na banheira cujo ralo levava a lugar nenhum
Existia um pequeno lago estatico
onde morte e vida se encaravam
para garantir o equilibrio

Revezando o sofrimento
Comer,beber,morrer
o istinto já não clamava refeição
Em todos os dias da prisão

ASSim como o tempo de gestação
diminuido por pura adaptação
nasciam sem patas e carapaças
Só precisavam de fome e bocas

A vida no quarto maldito continuava
Quantos anos mais levava
para que todas aquelas tripas
se tornassem uma unica Vida?

Algo sem mente
somente sistemas de digestão
ora hibernava ora acordava
para perpetuar a sua raça

Devorando a si mesmo na escuridão
concebendo apendices doentios
cuja unica finalidade é a nutrição
Quanto demoraria, para tal criatura, se alimentar da solidão?

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