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Pesadelo

Pesadelo


Pesadelo

    Chovia forte. Ele caminhava depressa, mas seu sobretudo já estava completamente encharcado. Se encontrava em um beco sujo, onde ratos barulhentos pareciam rir dele quando passava. Ratos cujos dentes pontudos pareciam sedentos por carne e sangue. Na verdade, estavam ali apenas em busca de mais lixo para saborear, mas mesmo assim, ele não deixou de estremecer.

    Afinal, nada daquilo deveria estar acontecendo. Era um homem de sucesso, conhecido pela sociedade. Não tão rico quanto se fazia parecer, mas, mesmo assim, um homem de sucesso. Pelo menos para aqueles que o cumprimentava nas festas em que frequentava. Para aquele que via no espelho, era alguém que passou sua vida trapaceando, enganando, traindo, roubando.

    Até que um dos trapaceados resolveu pregar uma peça nele. Uma brincadeira sem graça, digamos assim. Digamos que, nesta noite, fez uma visitinha à casa dele...à sua esposa, mais especificamente. Foram cobrar uma dívida há muito não paga. Deixaram-na bem feia. Aquele rostinho angelical, de olhos azuis penetrantes, e seus cachos louro-dourados, desapareceram, virando um emaranhado de fios, pele e vísceras, encharcados de sangue. Ao chegar em casa e se deparar com aquela cena, ele ainda teve, lá no fundo de sua mente, aquela piada de mau gosto ecoando, “parece o macarrão à bolonhesa que a mama fazia nas noites de quarta-feira, tão gostoso quanto o beliscão que ela dava em minha bochecha, mandando eu comer tudo, seguido por um não menos delicioso beijo melado de baba espessa”.


    Mas, além de pensamentos sórdidos, houve revolta. Afinal, ela estava estragada. Eles não só a mataram. Eles fizeram uma festinha com ela. Amarraram-na de braços e pernas abertas na cama. Sua camisola suspensa até a altura do ventre. Machucaram-lhe a vagina. Com fogo. Bateram pregos ao longo de seu corpo. Grampearam seus mamilos. Cortaram a ponta de um de seus dedos. Por fim, deram-lhe marretadas. Primeiro nas canelas, depois nos joelhos, depois no lado direto de sua caixa torácica, para que não atingisse o coração, mantendo-a viva, para vislumbrar o gran finale. Deram-lhe marretadas na cabeça. A primeira afundou seu rosto, que penetrou seu crânio, ficando igual uma máscara de borracha que as crianças usam para assustar os outros na noite de Halloween. Daí pra frente, ela já se encontrava em outro plano de existência, e o que se sucedeu, pouco importa.

    E ele viu ela ali, naquele estado. Depositou as rosas que trouxera como um agrado sobre seu peito. Agora elas não serviram para agradar a bela moça; serviram para realizar um improvisado e singelo funeral.

    Ele iria se vingar. Sabia quem tinha feito aquilo. “Vocês verão só!”, esbravejou. “Mexeram com fogo, seus putos!”. É, amigo. Parece que mexeram sim. E, ainda por cima, onde você mais amava sua esposa; na vagina.

    Saiu louco pelas ruas, e entrou em um beco, a cerca de 30 minutos da cena do crime, digno dos mais toscos filmes B dos anos 80, onde se encontravam os ratos risonhos e delirantes; além de assassinos.
No fim do beco, tinha uma porta. Por trás dessa porta, tinha um bar. Nesse bar, tinha o que ele queria; R.P. McGrady e seus capangas, responsáveis pelo extreme makeover de sua mulher, e, claro, uma boa dose de Whisky para aliviar a tensão, além de muita, muita cerveja!

    Como ele se vingaria se estava sozinho e lá tinha tantos alvos a serem batidos? O revólver no bolso do seu sobretudo trazia a resposta. Um .45 que parecia ter saído de um bom e velho filme de faroeste, onde enormes garruchas fumavam sob o calor do deserto. Se estava molhada a arma, se tinha balas suficientes, nada disso importava agora. Seria na mão, se fosse preciso. Afinal, os putos mexeram com fogo! Pelo menos, ele dizia.

    Parou em frente à porta. Fitou o nada por um instante. Um filme ligeiro da sua vida passou por sua cabeça. Se havia uma encruzilhada, aquele era o ponto. Como Alice no País das Maravilhas. Pílula Azul ou Vermelha, Mr. Anderson? Aquele era o ponto. Sua vida terminava ali. Independente do que acontecesse, tudo seria diferente ao cruzar aquela porta. Voltar atrás também mudaria tudo. Viva covardemente ou morra heroicamente! Grande piada essa vida. No fim de ambos os caminhos, acabamos na merda. Grandes opções pela frente. Mais um número e você ganha o prêmio de Um Milhão De Dólares, não é mesmo auditório?! Você já acertou cinquenta, agora falta um!! O último! Temos o 10 e o 94! Então, qual será?! Bem vejamos...fico com o 94! Oh...que pena...auditório, ele perdeu tudo!! Ohhhh... Mas quem sabe em uma próxima oportunidade, não é mesmo? Vamos agora aos comerciais! Produção, acompanhe este infeliz até a saída, por favor. Porta dos fundos, ok? Grande piada. Grande merda.

    Abriu a porta. Não havia barulho. Não havia luz. Não havia vida. Cantava Neil Young, em tempos remotos... “You're out of the blue and into the black...”. Sim, meu amigo. Você saiu do azul. Penetrou no negro. No terror. No pânico. No lugar onde os ratos, escorpiões, aranhas e demais convidados fazem sua orgia, sua ceia canibal. E você é o grande palhaço do espetáculo, todas as luzes voltadas para o picadeiro. Mas as luzes não são alegres. São vermelhas. Como o sangue secando no que um dia foi o rosto da sua mulher. E os rostos na plateia não são de crianças. São dos próprios leões que fugiram de suas jaulas, famintos. Aqui não se fareja pipoca e algodão doce. Se fareja o medo, a dor. É assim que se alimenta esse espetáculo. Esse show.

    O aroma do lugar era de bebida seca e mofo. Mais alguns passos à frente e a porta se fechou atrás dele com um estrondo. Se virou bruscamente, gritando no auge de seu susto “Mais que porr...”. Foi tudo. Alguém o segurou firmemente por trás e o asfixiou com um pano e algo líquido, que o fez desacordar. Mais tarde, pensaria sombriamente que, antes de desacordar, teve uma clara idéia de que aquelas mãos que o seguravam não eram humanas.

***

    Totalmente grogue. Era assim que se sentia ao acordar, vagarosamente. Durante o período em que esteve fora do ar, viu como que em um filme a viagem à praia que havia feito com sua falecida esposa no verão. Lembrou da maneira como o cabelo dela esvoaçava ao vento que vinha com o pôr do sol. Do sorriso dela ao acordar em uma bela e ensolarada manhã. Como ela gemia em seus braços no momento do êxtase. De como ela era bela e meiga. Mas de repente aquele mundo ficou escuro, e criaturas surgiram, e a levaram dele. Riam, zombavam dele. Ele, impotente, queria ir atrás, mas suas pernas não obedeciam, não se moviam. Parece que a comunicação entre o cérebro e suas pernas fora cortada. Quando olhou para baixo, estava em uma cadeira de rodas. Tentou empurrar, mas não tinha braços; eles haviam sido arrancados. As criaturas, agora ele via claramente. Eram ratos gigantes, peludos, que abraçavam sua esposa e levavam-na para dentro de um bueiro, enquanto ela chorava e pedia por socorro, e ele nada podia fazer. Até que sua cadeira começou a ser empurrada, e, quando ele olhou para cima para ver quem a movimentava, uma boca aberta pendia, pronta para engolir sua cabeça com uma mordida. No momento em que a boca da criatura se fechou envolta do seu pescoço, ele acordou, grogue.

    Estava em um ambiente sombrio. Apenas uma forte luz vermelha no canto, em uma parede, iluminava o recinto. Parecia um quarto. Se encontrava nu, algemado em seus pulsos e tornozelos, preso a uma cadeira, fixa no chão. A cadeira era de metal, e gelava seu traseiro, como se ele estivesse sentado em um saco de gelo. Seus cabelos ainda estavam úmidos da chuva. Sua arma há muito se fora.

    À sua esquerda, tinha uma cama de casal. Sua estrutura era grande, e cortinas de filó se derramavam de seu topo, parecendo ter saído de um filme de época, onde belas damas dormiam. Entrementes, o mais bizarro de tudo ele demorou a perceber. À sua frente tinha um poste. Daqueles de boate, onde mulheres fazem strip-tease. Falou para si mesmo:

    - Deus...estou em uma boate pornô! Será que este puto do McGrady vai vir aqui chupar meu pau, para animar a festa?

     Foi aí que começou o som ambiente. Um pesado som de órgão sintetizador invadiu o lugar, e ele reconheceu os primeiros acordes. Era a introdução de “Perry Mason”, sucesso de Ozzy Osbourne. Não entendia nada. Ao começar os primeiros riffs do teclado, surgiu uma sombria figura feminina na sua frente. Só se via o desenho do seu corpo, debaixo de um comprido casaco de couro. O resto era negro. E quando Zack Wylde soltou a primeira porrada de sua pesada guitarra Gibson, ela acompanhou em uma dança sombria e sexy. Ele não percebeu, mas seu pau já se encontrava completamente duro, apontando para o teto.

    Quando o vocal entrou rasgando, cantando uma letra que não tinha a menor importância, mas que soava muito bem, ela começou a se aproximar. E cada vez que ela chegava mais perto, mais era perceptível seu perfume. Um cheiro forte, extremamente sensual.

    Agora ela estava a centímetros dele. E, com um movimento ríspido, abriu o casaco de uma só vez, ficando apenas com uma pequena lingerie preta, o que o deixou ainda mais louco. Já parecia ter esquecido tudo que tinha se passado, e nem se dava conta do quão louca era aquela situação.

    Ela então, sentou de costas para ele em seu colo. Continuava rebolando, roçando a minúscula calcinha preta que tapava seu ânus no pênis dele, quase o fazendo atingir o orgasmo. Após alguns segundos, ela se levantou, virando-se para ele, puxou sua calcinha para o lado, e sentou de uma só vez. Ele a penetrou tão facilmente, com tanta suavidade, como nunca havia ocorrido antes. E ela o cavalgava, rebolava, e o fazia delirar. Não se aguentando mais, ele gozou fartamente, fazendo o esperma escorrer ao longo de sua virilha. Abraçou a moça sombria, olhando para o infinito que jazia a sua frente. O infinito de escuridão.

    Foi quando ele começou a recuperar seu senso de realidade, e a luz vermelha que iluminava o quarto voltou a se tornar perceptível. Pela primeira vez, se focou na parede do cômodo. Era surrada. A pintura, há muito já não existia. Com um pouco mais de concentração, pôde reparar que haviam alguns buracos nela. Pequenas circunferências do tamanho de bolas de golfe. Sentiu um súbito medo, ao pensar ter visto coisas além daqueles buracos. Pareciam olhos. Olhos amarelos, cortados ao meio. Mas era apenas fruto de sua imaginação. Mesmo assim, se arrepiou. E foi aí que pensou que, durante todo aquele tempo, em que sua atenção ficou presa ao belo corpo da sombria mulher que dançava à sua frente, não tinha visto seu rosto em momento algum.

    Empurrou-a para a frente, a segurando pela cintura e olhou bem para seu rosto, assustado. A cabeça pendeu para a frente, sem vida. Aquela mulher estava morta. E mais; o rosto era de sua mulher. A cabeça começou a se comprimir, fazendo barulhos aflitivos de seu crânio se partindo. Sua face murchava como uma bola esvaziando, e, junto com a gosma fedorenta que saía de dentro de sua cabeça, baratas também davam seu ar da graça. O corpo dela ficou mole, e sua pele, enrugada. Os pregos que ela recebeu ao longo de seu calvário começavam a brotar de sua pele. Suas canela e costelas quebradas no ritual de seu homicídio, se partiam como biscoito. Ele, mesmo que apavorado, se sentia hipnotizado, incapaz de se mexer, assim como aconteceu no pesadelo que ele acabara de ter.

    Porém, um castigo sofrido pela falecida esposa ainda não tinha ocorrido; eles queimaram-na a vagina. E quando ele se deu conta de tal fato, seu pênis ainda se encontrava dentro dela. Começou a ouvir risos agudos, porém baixos, sorrateiros, e vinham de além da parede. Olhou para lá e viu, agora de forma clara, os olhos amarelos que o observavam. Não era apenas fantasia de sua cabeça. Eles estavam lá. Assistindo. Esperando. Como abutres, esperando os leões terminarem o serviço para, então, aproveitarem a carniça, as sobras. Enquanto ele ainda estivesse respirando, eles o comeriam vivo. Suas bocas babando seu sangue em cima da face dele.

    Na vagina dela, começaram a estourar bolhas, e com elas, pele e sangue, fervendo. Tentou afastá-la, tirá-la de cima dele, mas seu pênis não se soltava da vagina dela. E assim, foi sendo queimado. Uma dor desesperadora começou a invadi-lo, ao sentir seu pênis queimando, em carne viva, junto da vagina de sua falecida esposa, que agora parecia o punir, como uma alma penada, por tê-la feito passar por todo aquele sofrimento.

    Então, a vagina dela se fechou como uma boca, arrancando de vez o pênis dele, e seu corpo caiu para trás. Ali no chão, jazia sua falecida mulher, com rosas mortas em cima de seu peito. Começou a se debater, a gritar, e seus braços, antes presos à cadeira metálica, agora sacudiam livres. Em completo estado de choque, percebeu que tudo havia mudado, ao notar uma peso excessivo em sua mão direita. Era uma marreta.

    Agora, a claridade ofuscava seus olhos. Estava novamente em seu quarto. Novamente vestido. Suas roupas, completamente encharcadas de sangue. A marreta ensanguentada em sua mão. No chão, um maçarico, martelos, pregos, facas. Na cama, o que um dia foi uma bela e sedutora mulher. Agora, um cadáver mutilado.

    Apesar de não compreender nada do que havia acontecido, ele sabia que algo terrível estava prestes a acontecer. Foi quando sentiu um forte golpe pelas costas e caiu descordado. Eram os tiras.

    Só foi acordar horas mais tarde na delegacia. Apesar dele mesmo não acreditar em tal hipótese, o boato ali é de que ele seria declarado insano. Os vizinhos afirmaram que os gritos da mulher duraram três horas, até que a polícia invadisse o apartamento. Foi um ato de brutalidade que não se via há tempos.

    Para ele, tudo ainda estava muito claro. Ele sabia que não tinha encostado nem um dedo nela. Sabia que tudo era obra daqueles malditos fantasmas que o atormentavam. Durante a sua vida inteira, esteve com medo. Medo do escuro, dos bueiros, onde vivia a cidade silenciosa, a cidade dos renegados, daqueles que sentiam prazer no sofrimento alheio. E aquele tinha sido o dia do confronto final. Ele sabia. Ele tinha certeza.

    Mas apesar de toda sua certeza, ele passou o resto de sua vida em um manicômio, trancado. Mas não houve uma noite sequer em que ele passou sem ouvir aqueles risos. A satisfação das criaturas que o assombravam. A satisfação por sua desgraça. Zombavam dela. Brindavam a ela.

    E ao dormir, via aqueles olhos amarelos observando seus sonhos. Nem ali ele era livre. Jamais ele estaria sozinho.

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